domingo, 26 de setembro de 2010

Tárik e Roderico

Brilha o Sol,
Infernal calor,
Ofuscantes reflexos,
No Guadalete

Massas se espremem;
De um lado a Cruz,
De outro o Crescente
Meros pretextos

Espuma Tárik,
Rosna Roderico

Soam trombetas
Voam setas
Trotam cavalos
Retinem espadas
Ressoam escudos
Avançam lanças
Cedem ventres
Rolam cabeças
Pendem braços
Saltam vísceras
Caem miolos
Tombam homens

Sangue, sangue, sangue!

Passáros carniceiros
Famintos lobos
Escumam de apetite
Macabro repasto!
O campo de batalha é cozinha fumegante

Bravos atacam godos
Timidos recuam mouros
Roderico sorri
Tárik espera

A Cruz parece rir do Crescente

A tarde avança
Os godos também
O sangue vira lago;
Os cadáveres, montanha

Impávido corre Roderico:
Espada em riste,
Mergulha sobre o infiel
Esmagado pelas patas do cavalo

Trágico cálculo...
Os godos perdem o rei;
Entre muralha de mouros,
Roderico está só

Roderico gargalha
Roderico sangra
Roderico golpeia
Roderico morre

Corre o rumor
"O rei está morto!"
Corre o terror
Tomba decapitada a tropa goda

Qual cimitarra,
O sarraceno avança
Tárik sorri

O godo desespera
O godo recua
O godo foge

Livra-se o caminho de Toledo
Abrem-se as portas da conquista
De Gibraltar aos Pirineus
Brilha já o Crescente

Com Roderico morre uma era;
Com Tárik nasce outra

Ah, Guadalete, doloroso parto!

Morte ao Reino dos Godos!
Viva o Califado de Toledo!

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